2 Reis 4.18-30
Um menino, filho da orientadora do culto infantil, ia fazer uma apresentação com o grupo de crianças na igreja. Mas, quando chegou sua vez, ele esqueceu a parte que devia falar. Vermelho de vergonha e se segurando para não entrar em pânico, o garoto olha para sua mãe, esperando dela uma ajuda. A mãe, atenciosa, sentada no primeiro banco, se inclinou em direção ao filho e cochichou:
– Você deve falar: "EU SOU A LUZ DO MUNDO." – E repetiu – "EU SOU A LUZ DO MUNDO."
O menino sorriu, se acalmou e falou em voz bem alta:
– Minha mãe é a luz do mundo!
No texto bíblico que lemos, vimos o exemplo de uma mãe que foi referencial de fé. Da mesma forma, a mãe retratada na ilustração também o é para seu filho, e com elas nos vemos inspirados/as a fazer diferença onde quer que estejamos. Jesus disse que somos luzes a iluminar esse mundo, e hoje, aprenderemos com uma mãe e um profeta sobre amor, determinação e envolvimento na missão.
Eliseu era profeta e foi sucessor de Elias. Ele não era escritor como Isaias, Jeremias e outros, por isso não temos nenhum livro dele. Seu ministério, no entanto, era voltado para a comunicação entre Deus, o povo e o governo. Ele alertava o povo sobre a vontade de Deus e representava a voz do próprio Deus na terra. A população e os reis reconheciam seu ministério profético, e especialmente uma senhora piedosa, viu nele um missionário do Deus vivo, e decidiu apoiá-lo. Por isso, em acordo com seu marido, construiu um quarto em sua casa para hospedá-lo e oferecia-lhe refeições. Ela era da cidade de Suném, sudeste do mar da Galileia, no oriente médio.
Aprendamos hoje com a fé da mulher sunamita que colocou a missão do Reino em primeiro lugar e recebeu provisão de Deus.
Ela era rica (em contraponto à viúva pobre da multiplicação do azeite, mencionada no texto que antecede a esse relato), mas igualmente apresentava disposição e despretensão em ajudar o servo de Deus. Como resposta à sua iniciativa de valorizar o Reino de Deus e a sua justiça, o Senhor anuncia sua recompensa pela boca de Eliseu: ela daria a luz um filho, mesmo em circunstâncias bastante adversas. Esposa de um homem idoso poderia ficar viúva a qualquer momento. Mas, Deus lhe dá um presente duplo: a honra e o privilégio de ser mãe e a provisão para seu futuro. Naquele tempo (mais do que hoje), uma mulher que não tivesse filhos era desonrada.
A sunamita não imaginava que receberia algo em troca, apenas fez o que estava ao seu alcance, e contribuiu com o profeta, oferecendo-lhe pousada num quarto feito especialmente para ele. Hospitalidade era uma qualidade bastante apreciável nos tempos antigos, além de significar generosidade e gentileza da parte do hospedador. A mensagem do Reino de Deus pregada por Eliseu certamente encheu o coração daquele casal, e a prioridade que deram a ela foi louvável.
Jesus falou mais tarde sobre buscar a justiça de Deus em primeiro lugar (Mt 10.40-42), e nenhuma outra preocupação deveria atrapalhar, pois Deus é quem garantiria o suprimento de nossas necessidades e nos daria "cem vezes mais".
Ofereceram hospedagem ao profeta. E sem saber, hospedaram um “anjo” (cf. Hb 13.2), e nesse caso, arauto de uma nova história para aquele casal, que por tal iniciativa pode ser chamado de missionário.
O sorriso volta a brilhar naquela casa, e agora o pai tinha um herdeiro e a mãe um sinal de honra e provisão. O medo que antes os assombrava, agora é ofuscado pelo brilho de uma criança, que veio para alegrar e encher de esperança aquela família.
Porém, como num anoitecer repentino, nuvens escuras vão cobrindo a felicidade do casal, e sem saber, o pai, que estava com seu filho no campo, pensou que seu garotinho começou a reclamar apenas de uma dor de cabeça, a qual seria sanada com o carinho da mãe, e então o manda para casa. A mulher parece ter tido a mesma impressão e o deita sobre seu colo. Mas seu cuidado, as compressas, as orações, as tentativas de acalmá-lo não estavam resolvendo, pelo contrário, ele só piorava e depois de um tempo o garoto morreu. Sem hesitar, a mãe o deita no quarto vazio do profeta, e vai correndo em busca do homem de Deus, sem avisar ninguém do ocorrido. Na estrada, muitas dúvidas pairavam sobre seu coração. Sentimentos de desespero misturados com revolta e decepção, tais como: “Por que Deus deixou que isso acontecesse? Eu fiz tudo que podia pelo seu servo, e é assim que Ele me recompensa?”
No entanto, a fé e o amor daquela mãe a motivavam a prosseguir para o seu destino, e quando já está se aproximando, o profeta a vê e envia Geazi, seu assessor, para perguntar a ela o que estava acontecendo, talvez para que resolvesse o que estivesse ao seu alcance, sem necessariamente levar ao profeta, mas ela responde que está tudo bem e continua a caminhar. Ela estava determinada, e só falaria com o profeta. Não diria a mais ninguém, nem mesmo ao assistente pessoal do profeta. Enquanto Eliseu (que representava Deus) não fosse até o menino, ela não descansaria.
Chegando ao local onde Eliseu estava, a mulher se lança aos pés do profeta, que lhe oferece um “cajado mágico”, mas ela rejeita. Ela sabia que o próprio Deus poderia visitá-la através de Eliseu, que fora escolhido para isso, e não aceitaria um amuleto. Como o profeta, às vezes somos tentados/as a querer substituir nossa ação com contribuições indiretas, mas como dizia o célebre missionário Hudson Taylor, "Se Deus o deseja trabalhando nos campos missionários nem seu dinheiro, nem suas orações jamais poderão ser substitutos aceitáveis".
Mesmo com a presença do profeta já no local onde o menino estava, Geazi tocou com o cajado no rosto do garoto, mas nada aconteceu. O milagre começa acontecer quando o profeta ora ao Senhor. Então, “deitou-se sobre o menino e, pondo a sua boca sobre a boca dele, os seus olhos sobre os olhos dele e as suas mãos sobre as mãos dele, se estendeu sobre ele; e a carne do menino aqueceu” (v.34). Depois se levanta, dá uma volta como se estivesse aguardando alguma resposta do menino, ou expressando alguma impaciência, mas nada acontece. Nem mesmo o profeta entende o que está acontecendo, mas se debruça de novo e o menino espirra sete vezes. O espirro faz alusão às vias respiratórias, que voltaram a funcionar, respirando e recuperando o fôlego que é a vida.
No entanto, o garoto só voltou a viver porque Eliseu colocou à disposição de Deus seus braços, pernas, boca e o calor de seu corpo, que serviram de metáfora à entrega completa de seu ser ao serviço de Deus. Antes disso, a mãe do menino não desistiu de sua missão de ser mãe e zelar pela vida de seu filho. Se ela não fosse até o profeta e não enfrentasse a distância, a angústia paralisante do luto e o fato de não ter com quem contar porque não podia falar para ninguém, seu filho não voltaria à vida.
A aproximação dos cristãos daqueles que estão em estado de morte espiritual e social, desde que seja feita de corpo e alma, trará vida nova aos pecadores. Os moradores de rua precisam de nosso calor humano em tempos de frio; os deficientes físicos, auditivos e visuais precisam de nossas mãos, para poderem se locomover, se comunicar e serem orientados; os famintos carecem de nossa generosidade, quem sabe privando nossa boca de um pouco do alimento que comeríamos, para que outra pessoa também seja alimentada; precisam da boca da qual brotam palavras de paz e de esperança; as mulheres prostituídas precisam de nossos olhares, não de julgamento ou de repúdio, mas de compaixão; os viciados em cocaína, craque e outros inalantes, carecem de nossas narinas, que não necessitam inalar tais drogas para nos dar alegria, mas que também não se importam com o mau cheiro de viciados e viciadas que se autodestroem; a África, a Ásia, o Amazonas, Quixeramobim, São Bernardo do Campo, os tupinambás, os aimarás, os europeus, os esquimós, os norte-americanos e todos os povos da terra, precisam de nossos pés, que se fazem formosos porque anunciam as boas novas. Jesus se faz presente quando nós, em seu nome, agimos como ele agiria, e assim teremos autoridade sobre enfermidades, demônios e falaremos em novas línguas.
O garoto volta a viver para nos mostrar que Deus age em nosso favor quando nos dispomos a agir pela fé, colocando Deus em primeiro lugar. Muitas pessoas podem voltar à vida por nosso intermédio, desde que exerçamos nosso ministério, seja ele de “mãe” ou de “profeta”. Precisamos de mulheres que ajam como “profeta”, se colocando por inteiro nas mãos de Deus e de homens que ajam como “mãe”, determinados e incansáveis no amor pelas vidas, brilhando e fazendo diferença em seus lares e no mundo. Mães têm tudo a ver com profetas. Ambos representam bem a função da Igreja na incansável busca de mostrar o amor de Deus ao mundo, de cuidar de nossas crianças e de denunciar a maldade de nosso tempo. O Senhor espera nossa atitude de disposição, para que nos faça instrumentos de justiça e agentes de milagres.
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