29 de abr. de 2008

Violência: por que está tão viva em nossa sociedade?

Por Wallace de Gois Silva
É assombroso vermos nos noticiários os motivos que levam algumas pessoas a praticarem a violência e aforma com que o fazem. Vidas e vidas são sacrificadas nos centros e nas periferias das grandes e pequenas cidades do Brasil. Infelizmente a violência é um mal que já atinge a todas as localidades.
Segundo dados da Câmara Federal divulgados em 2004, entre 1990 e 2000, os homicídios foram responsáveis por mais de 401 mil mortes. Só em 2001 foram registrados 46.685 assassinatos e 71,5% destas mortes foram causadas por armas de fogo. (www.camara.gov.br).
O Tribunal de Contas da União fornece informações de que as estatísticas de abuso sexual de menores estiveram em alta em 2003 nos Estados de Santa Catarina que liderou o ranking com mais de mil casos, e São Paulo com cerca de 630 ocorrências (www.tcu.gov.br).
Faltaria espaço para citarmos todos os dados sobre violência em nosso país, sobretudo nos Estados do Rio de Janeiro e São Paulo, mas já podemos observar que não são poucos, o que é extremamente preocupante.
Por isso o Brasil é considerado um dos países mais violentos do mundo. O índice de assaltos, seqüestros e violência doméstica também é altíssimo. Suas causas parecem ser sempre as mesmas: pobreza, má distribuição de renda, desemprego e desejo de vingança.
Há ainda o fator psicológico, de indivíduos que sofrem algum distúrbio mental, que podem levá-los a praticarem atos cruéis. Tais pessoas são denominadas de psicopatas ou sociopatas, que praticam a violência sem necessariamente ter motivos justificáveis, às vezes pelo prazer de fazer o mal. Os que sofrem desse tipo de distúrbio podem ou não ser responsabilizados por seus atos, levando-se em conta o estado de lucidez da pessoa, entre outros fatores.
A influência de demônios também altera o bom funcionamento da mente humana (Mt 8.28-31, por exemplo), e às vezes são os responsáveis por levarem pessoas à prática da violência através da tentação ou de uma maneira mais invasiva: a possessão. Mas os espíritos malignos não se apoderam de ninguém da noite pro dia, sem mais nem menos, uma gradual entrega ao pecado e o contato com as trevas através de algumas religiões podem levar à escravidão demoníaca.
No entanto, não devemos atribuir toda a culpa ao diabo, que realmente não gosta de ninguém, mas a única coisa que ele faz é levar as pessoas a caírem em suas próprias tendências ao mal e fazê-las escravas de seus pecados (Tg 1.12-15).
A presença da violência na sociedade não vem de hoje. Os escritores bíblicos já a mencionavam como sendo parte de seu cotidiano. O primeiro assassinato ocorreu ainda nos primeiros anos da humanidade, e fora cometido por Caim contra Abel, ambos eram filhos de Adão. O relato de Gênesis mostra que o homicídio aconteceu por motivos banais (Gn 4.1-10). Já dizia o profeta Miquéias sobre a opressão através da violência: “Se cobiçam campos e casas, os tomam; assim, fazem violência a um homem e à sua casa, a uma pessoa e à sua herança” (Mq 2.2)
Mas qual é a origem da violência? Notamos que as causas citadas acima remetem a atitudes perversas originadas no pecado gerado pelo egoísmo humano. Quem assalta o faz por egoísmo, para obter algo para si. Os que praticam a agressão criminosa nos lares e contra pessoas mais frágeis o fazem pelo desejo de fazer sobressair o seu suposto poder sobre o próximo. E assim, todo o pecado tem origem no egocentrismo humano. O primeiro contato do homem com o pecado aconteceu ainda no Éden, quando Adão e Eva, o primeiro casal da Terra, se deixou levar pela astúcia da serpente (Gn 3), que implantou neles um desejo egoísta de ser igual a Deus (v. 5).
A partir do momento em que Adão comeu o fruto da árvore que Deus proibira, a humanidade inteira passou a ser escrava de uma maldição: o pecado (v. 17). Todo indivíduo que nascesse dali em diante viria debaixo da condenação do pecado e já afastado de Deus (Rm 3.23; 5.12).
O pecado tem um poder tão devastador que afetou inclusive a saúde física e mental das pessoas, alterando até mesmo a genética humana, implantando a maldade literalmente nas veias das pessoas. É por causa do pecado que existe desigualdade social, baseada também no egoísmo, o que leva outros à revolta que acaba sendo uma desculpa para a violência. O mesmo ocorre com os outros fatores, é uma bola de neve que cresce cada vez mais. A tendência da humanidade é piorar. O povo evangélico precisa agir!

A SOLUÇÃO
 
Por mais que as autoridades políticas e militares tentem resolver os problemas com a violência, esta só terá fim quando o mal for cortado pela raiz. Visto que a origem da crueldade é justamente o pecado, e que este não pode ser resolvido pelo poder humano, precisava de uma intervenção divina. Diante de uma ameaça de Satanás de colocar em risco o plano de Deus de prover paz e felicidade eternas para a humanidade, o Senhor resolve mostrar a solução que ao mesmo tempo seria uma resposta à afronta do Diabo: da descendência da mulher (Eva) nasceria um que esmagaria a cabeça da serpente, e esta lhe feriria o calcanhar (Gn 3.15). Esse “um” só pode ser Jesus Cristo, o Príncipe da Paz, o Salvador da humanidade.
Eis a primeira menção na Bíblia da vinda do Senhor Jesus, o Deus Filho, que num determinado dia, já definido no céu, abriria mão da sua glória e majestade nas alturas, e assumiria a forma de um homem, que ao mesmo tempo não deixaria de ser Deus.
Surgiria alguém que levaria os pecados dos homens, e abriria de volta o nosso caminho a Deus que outrora foi fechado pelo pecado. A paz que reinava no Éden voltaria a ser desfrutada através dEle. Ele ensinaria o mundo a viver em serenidade, e amor, e apontaria para o futuro: a felicidade eterna na casa do Pai (Jo 14.1-4; Ap 21; 22), na qual a dor e as enfermidades não mais existirão. Ao fim de sua missão terrena morreria numa cruz e depois de três dias ressuscitaria.

NOSSO PAPEL SOCIAL
 
Jesus cumpriu o seu ministério e nos deu de volta a chance de provarmos um pouco da paz agora se vivermos com Ele, e a sua totalidade no porvir. Sendo assim, por que então nós não vemos isto se cumprindo? Por que ao invés de melhorar, as coisas só pioram? A cada dia aparecem mais casos de violência e quando achamos que já vimos de tudo, sempre aparece uma notícia mais dramática. A única resposta para isso é que as pessoas estão longe de Deus. A criminalidade só aumenta porque alguns ainda não tiveram um encontro com Jesus. Somos mais de 35 milhões de evangélicos no Brasil, e às vezes não temos agido como deveríamos. Muitos crentes são omissos quanto à evangelização e à manifestação do amor ao próximo. Claro que existem os que trabalham pelo Senhor incessantemente, e por estes nós louvamos a Deus, mas ainda há muitos que não o fazem.
Todos nós devemos carregar em nosso viver a mensagem da cruz, que é a nossa salvação. Disse Agostinho, um grande teólogo da história da Igreja: “Prega o evangelho sempre, se necessário use palavras”. Agostinho quis dizer que a nossa conduta deve brilhar mais que as nossas palavras, e que ela é o nosso maior instrumento de evangelização. Atitudes valem mais do que palavras.
Alguns pensam que tudo se resolveria se simplesmente apanhássemos uma centena de panfletos de evangelismo e os distribuíssemos por aí. O evangelismo vai muito além do que entregar folhetos da Bíblia, isto é apenas uma parte da evangelização.
A Igreja deve participar ativamente em obras sociais que visem a educação, a formação de cidadãos, o suprimento das necessidades de pessoas carentes. Os nossos olhos devem estar voltados às almas que perecem física e espiritualmente, e a nossa pregação e ação devem atingir os presídios, os hospitais, os orfanatos e albergues. Isso quando as instituições de ajuda ao próximo não estejam diretamente ligadas e mantidas pela Igreja.
Exerçamos a misericórdia, para termos um mundo mais pacífico, e guardemos a esperança nas promessas do Salvador, de entrarmos num lugar onde estaremos totalmente livres do sofrimentos desta vida: o céu.

Matéria escrita para o jornal "O Semeador", da Editora Betel.

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